Por Alexandre Fuchs das Neves
Artigo originalmente publicado no site do SINFAC-SP
Nos últimos anos, ferramentas até então consideradas seguras — como o portal GOV, o WhatsApp e os tokens judiciais — passaram a exigir verificações em duas etapas. Esse movimento reflete a crescente preocupação com fraudes e a necessidade de validar a autenticidade das comunicações, inclusive no ambiente empresarial.
No setor de fomento comercial, securitização, FIDCs e ESCs, essa realidade também se impõe. Temos observado situações em que confirmações de recebimento de mercadorias são feitas por endereços de e-mail ou telefones que, posteriormente, são negados pelo sacado. O risco é evidente: a segurança jurídica da operação fica comprometida, abrindo espaço para contestações.
Diante disso, algumas medidas simples podem fortalecer os procedimentos e reduzir a exposição ao risco. São elas:
- Verificar a titularidade do e-mail institucional, utilizando ferramentas como o DeepWhois para identificar quem é o responsável pelo domínio da empresa.
- Solicitar confirmação por dois canais diferentes, preferencialmente e-mails distintos, o que dificulta alegações futuras de ausência de poderes de representação.
- Realizar contato telefônico com o sacado, buscando o número de forma independente e conversando com gestores ou sócios para confirmar a legitimidade da pessoa responsável pela informação. Sempre que possível, registrar essa conversa.
- Pesquisar o perfil do interlocutor em redes como o LinkedIn, verificando como ele se apresenta profissionalmente e se demonstra ter autoridade para representar a empresa.
É importante lembrar que a validação não depende apenas da figura do sócio. Muitos colaboradores, prepostos e responsáveis operacionais têm poderes para confirmar recebimentos — mas é essencial identificá-los previamente.
Não podemos mais depender de um único endereço de e-mail como fonte exclusiva de confirmação. Isso pode representar uma brecha grave para fraudes ou alegações futuras de nulidade da informação prestada.
A adoção da verificação em duas etapas fortalece a segurança das operações e reforça o compromisso do nosso setor com a integridade e a responsabilidade nas relações comerciais.
O SINFAC-BA, como entidade representativa do setor de fomento comercial e de crédito privado, reforça a importância da adoção de boas práticas como essa, que fortalecem a segurança jurídica das operações e protegem todas as partes envolvidas.